segunda-feira, novembro 04, 2024

 

UMA CARTA DE AMOR



Mourel 16-3-1940




Querida Odete

meu Amorzinho …



Escrevo-te hoje a minha primeira carta amorosa

Porque jamais poço deixar de o fazer:

Como sabes nós nascemos para sermos um do outro.

O nosso destino o diz e Deus o quer…

Parece que o meu coração já te amava de pequenina até;

mesmo desde que te comecei a conhecer de menina: Nos pençamentos êsses

de criança, que não mereciam atenção.

Mas, o tempo foi paçando; Nós fomos crescendo; e o amor foi aumentando.

Enté que chegou o dia:

De nossos corações se entenderem:

Desde que nossos corações se declararão amorosamente;

Aumentou o amor por ti.

Mas desde que penso que estou teu noivo: Ainda mais te amo com toda Caridade(?) e Carinho.

Lembro-me do momento que tive para daí endiante ser teu noivo.

E

a todo o momento me estou a lembrar de ti e do teu olhar nesse momento.

Que nem uma palavra sequer e olhos fixados no colo…

Como lembrança desse importante momento ofereço-te minha fotografia.

Desde já espero tua resposta por escrito a estas minhas poucas palavras mas sinceras.

Sem mais qualquer açunto por hoje envio-te um aperto de mão deste teu Amor que te não esquece.


A R Figueiredo (rubrica)

segunda-feira, junho 05, 2023

 O ALTAR MOR  


VISTO POR UMA CRIANÇA


Lembro-me de, ainda criança, me distrair da missa (que ainda era rezada em latim), e ficar durante largos minutos a observar, com enlevo, os anjinhos anafados e sorridentes, o rosto sereno e lindo da Senhora do Amparo com o menino ao colo e todas as outras pequenas maravilhas que eu ia descobrindo na nossa Igreja de Carvalhais.
Alguém me tinha dito que todo o altar mor tinha sido banhado a ouro e, eu, na ingenuidade dos meus seis ou sete anos, imaginava os operários com grandes baldes de ouro derretido a banharem os santos, os anjinhos e toda a talha do altar. Pensava em como era rica a nossa Igreja e admirava-me o respeito que até os ladrões tinham por ela, porque, com tanto ouro ali exposto, eles não se atreviam a roubá-lo.
Acordava do meu devaneio com o som estridente da campainha com que o sacristão anunciava a consagração da hóstia ou, quando um dos meus irmãos mais velhos me davam uma forte cotovelada trazendo-me, assim, de volta à missa comprida e chata do velho Padre João Nepomuceno.
Passados tantos anos, continuo a gostar do Altar Mor e, mesmo se me faltar a devoção, é com um sentimento bom de alegria nostálgica que fico de novo, absorto e extasiado, olhando os meus velhos amigos anjinhos, eternamente crianças, que parecem querer falar comigo na sua alegria permanente e me perguntam: Então, por onde tens andado que nunca mais vieste brincar connosco?

Sérgio Figueiredo

( Texto publicado no jornal Comunidade Cristã de Carvalhais de 30 de junho de 2006)

sábado, fevereiro 01, 2020


A VIAGEM

Dos puntas tiene el camino e en las dos alguien me aguarda “ (canção chilena)

O dia estava luminoso mas frio e, quando subi para o autocarro, agradou-me a temperatura interior que era amena e acolhedora. Procurei o meu lugar e sentei-me, rezando fervorosamente para que o lugar ao meu lado se mantivesse desocupado até ao fim da viagem. Sonhava com aquelas duas cadeiras só para mim para, confortavelmente, poder pôr o meu sono em dia e, na quase impossível hipótese de não conseguir dormir, abrir o livro que trazia no saco e entrar no mundo queirosiano, onde a fantasia cobria com o seu diáfano manto a crua verdade, e por lá permanecer, bem aconchegado, até ao fim desta comprida viagem.

Tinha pavor de alguns tipos de companheiros de viagem que, algumas vezes, me calharam em sorte… ou azar. Uns falavam sem parar, outros eram tão gordos que quase ocupavam os dois lugares e, uma vez, apanhara uma senhora que exalava uns odores bem desagradáveis, além de ser tão chata que passei toda a viagem a suspirar pelo fim da mesma.

Absorto como estava, mergulhado nestas pouco agradáveis recordações, nem reparei que alguém estava junto ao meu banco e só quando uma voz suave e reticente me disse: dá-me licença, por favor, reparei que uma jovem com um leve, mas simpático, sorriso, aguardava que eu a deixasse sentar no lugar junto à janela, que era o seu, como atestava o bilhete que trazia na mão. 

Um pouco atarantado levantei-me e cumprimentei com simpatia a minha companheira de viagem. Não pude deixar de reparar nos seus bonitos olhos castanhos que iluminavam um rosto  que me encantou. Vestia de forma simples mas onde se notava um toque de bom gosto. Tentei disfarçar a minha satisfação olhando para os outros viajantes mas depressa voltei a cabeça para poder admirar a jovem que me ia fazer companhia nas cinco ou seis horas seguintes.

Ainda não tínhamos saído de Lisboa e já tinha conseguido iniciar uma conversa que se iria manter de uma forma interessante e agradável durante quase toda a viagem. Fomos descobrindo coisas em comum a cada frase e uma onda de simpatia mútua envolveu-nos de tal forma, que nos esquecemos de tudo o que era exterior àquele nosso pequeno espaço. Tínhamos lido e gostado dos mesmos livros, tínhamos sentido a mesma alegria a ver os mesmos filmes que comentávamos com entusiasmo de crianças. Também na música havia cumplicidade e não parámos de elogiar os nossos ídolos, que iam desde os Beatles ao Zeca Afonso, passando por muitos e bons músicos dessa década de 70.  Ambos amávamos a Beira Alta e as suas aldeias pobres e simples, mas encantadoras, onde vivêramos as nossas infâncias.

Senti-me tão próximo daquela moça que não queria que o autocarro andasse depressa, que houvesse um furo ou surgisse uma tempestade que nos atrasasse, para ficar com mais tempo para olhar aqueles bonitos olhos e ouvir a sua voz suave e quase sussurrada. Mas, nestas ocasiões,  acontece sempre o contrário dos nossos anseios e, depressa demais, chegámos à paragem onde a minha jovem companheira desceu do autocarro e se despediu de mim com um caloroso aperto de mão e um sorriso encantador. Creio ter ficado com o número de telefone dela e com o seu nome mas já não tenho a certeza. Sei que prossegui viagem  e, com o aproximar da chegada ao meu destino, fiz um doloroso esforço  para começar a esquecer aquela doce figurinha que me proporcionara uma viagem maravilhosa. Na casa da minha noiva conheci os seus pais que se admiraram pelo meu ar fresco e bem disposto, pouco normal em quem acabara de fazer uma viagem tão longa e aborrecida.

 

Sérgio Figueiredo

sexta-feira, outubro 25, 2019

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A VIAGEM AOS PICOS DA EUROPA


FOI UMA EXPERIÊNCIA MUITO  INTERESSANTE


 

 

De 9 a 14 de Setembro eu e mais  26 sócios e amigos da AATIB percorremos o norte da nossa vizinha Espanha, concentrando-nos especialmente na zona do Parque Nacional dos Picos da Europa.  A primeira grande cidade que visitámos foi  Valladolid e eu gostei de circular pelas suas ruas antigas plenas de alegria e juventude devido às festas da cidade.

No dia seguinte fomos até Burgos onde fui surpreendido por um ambiente encantador  que me deixou saudades. A sua catedral é imponente e está recheada  de pequenas maravilhas no seu interior. Quando, após o circuito que fizemos num pequeno comboio, regressámos à grande praça da catedral estavam todos os sinos a tocar ( talvez em nossa honra…) o que nos deixou empolgados.

Seguimos depois para a bonita cidade de Santander onde encontrámos, pela primeira vez, o Mar Cantábrico. Visitámos o Farol de Cabo Mayor onde, mentalmente, homenageei  as vitimas que, na guerra civil espanhola, ali foram barbaramente assassinadas.  Fomos depois para a magnifica avenida marginal e descemos junto à praia e percorremos o seu passeio marítimo.

Chegou o dia de avançarmos para os Picos. Embora chovesse ninguém teve medo. Sabíamos que a nossa estrelinha nos ia ajudar. E quando nos aproximávamos do destino já o sol brilhava.  Quando a nossa guia, Amélia, nos apresentou o simpático rio de montanha chamado Deva, que eu comparei ao nosso Paiva, e nos disse que o íamos seguir até bem perto da sua nascente, entusiasmei-me com a perspetiva.  A paisagem tornou-se espantosa quando entrámos no desfiladeiro de Ermida e subimos, numa estrada muito estreita, rodeados de toda a espécie de arvoredo e ouvindo as águas do meu amigo rio.  Quando chegámos a Fuente Dé subimos no teleférico a um dos pontos mais altos dos Picos. Em três minutos  passámos de uma altitude de 1100 metros  para quase 1900. No regresso almoçámos em Potes, uma pequena, mas muito típica, cidade antiga.

Seguimos para Comillas  onde encontrámos edifícios interessantíssimos dos quais destaco o famoso Capricho de Gaudi, o Palácio Sobrellano e a Universidade Pontifícia.  O nosso autocarro percorreu mais alguns quilómetros e encontrámos mais uma jóia cantábrica: Santillana del Mar. Respira-se ali um ambiente medieval que nos é trazido pelo desgaste que se nota nas pedras das ruas ou pela vetustez das suas casas particulares ou do convento e outros edifícios medievos.

No dia seguinte podemos estar num sítio com muita história e pleno de encanto: Covadonga.  Foi ali que Pelágio infligiu a primeira derrota aos mouros iniciando a Reconquista  que se iria prolongar  por mais de oito séculos. Tivemos que mudar de autocarro para podermos fazer uma subida ingreme, de doze quilómetros, até aos Lagos de Covadonga: o Ercina e o Enol.  A paisagem é arrebatadora.  São os Picos da Europa na sua pureza e na sua grandeza. Só nós e as centenas de vacas “trepadeiras”, como a nossa colega Zézinha, muito apropriadamente lhes chamou, que em escarpas ou no meio das rochas pastavam pachorrentamente, indiferentes aos turistas. 

Continuámos a viajar até chegarmos à capital das Astúrias: Oviedo.  Ali, a simpática guia local, a Aurora, deu-nos uma boa lição de história em que entraram os mineiros ,os bispos, as cruzes, La Regenta,etc.

Na etapa seguinte, Leon, visitámos a cidade também acompanhados por uma guia local, a Begónia, que nos levou também à catedral que me maravilhou com os imensos e esplendorosos vitrais.

Aproximava-se o fim desta experiência espanhola. Salamanca,  era a última cidade para conhecer e desfrutar. Fiquei encantado com esta “cidade dourada” como eles a chamam. O guia local, o António, era excelente, simpático e apaixonado pela sua terra. O rei de Espanha estava mesmo a chegar à Universidade para abrir o ano escolar mas nós, importantes como somos, não quisemos… esperar por ele.

As três catedrais são magnificentes por fora e, certamente, não o serão menos por dentro, mas já não havia tempo na nossa agenda para o comprovar. Outro local mágico de Salamanca é a sua Plaza Mayor. Uma das mais bonitas de Espanha é, desde há centenas de anos, o local de encontro privilegiado de todos os habitantes da cidade.  As praças maiores espanholas são uma tradição muito interessante e motivadora de unidade numa cidade. Que pena não ser portuguesa!  

E assim acabou a nossa invasão pacífica à grande nação que se chama Espanha. Não a conquistámos mas fomos  conquistados pelas suas extraordinárias paisagens e pela beleza e ancestralidade das suas cidades. Como não tínhamos aspirações à perfeição, foi natural que nem tudo corresse bem. Pessoalmente, penso que os espanhóis, em geral, não primam pela simpatia e isso cria pequenos contratempos. Na parte gastronómica também deixam  a desejar. Mas as partes positivas superaram perfeitamente o que posa ter acontecido de menos bom.

Agradeço à direção da AATIB  a organização de mais esta viagem  e fico à espera da próxima.

Sérgio Figueiredo

MINHA PRAIA ARDOROSA E SOLITÁRIA


 

                                             Aberta ao grande vento e ao largo mar

                                             tu me viste querer-lhe com a doce

                                             piedade dos sonhos do luar…

 

É com a simpática ajuda do nosso querido mestre Agostinho da Silva e com a primeira quadra do seu poema Praia, que inicio este texto simples que pretende falar-vos  do meu gosto pelas praias deste país.

A nossa costa tem muitas dezenas de praias maravilhosas ao longo de 943 km. Não as conheço todas, infelizmente só visitei uma pequena percentagem apesar de, durante alguns anos ter albergado o sonho, ou a fantasia, de as conhecer todas. Começaria em Caminha e viria descendo, lentamente, em vários anos, até Monte Gordo. Podia até escrever um livro a descrever a experiência mas… fica para quando eu cá voltar, na próxima encarnação.

Das que mais gosto são, de norte para sul, as seguintes: Ofir, Póvoa de Varzim,  Costa Nova, Vagos, Figueira da Foz, Santa Cruz, Ericeira, Foz do Lisandro, Praia das Maçãs, Praia Grande, Guincho, Avencas, Carcavelos, Costa da Caparica, Lagoa de Albufeira, Sesimbra, Figueirinha, Zambujeira do Mar, Aljezur, Meia Praia, Albufeira, Praia da Rocha, Praia do Barril, Cabanas, Manta Rota e Monte Gordo.  Creio serem todas boas praias mas todas diferentes. Daria pano para mangas, mas talvez fosse bem interessante, descrever as caraterísticas de cada uma delas e salientar o que têm de melhor. Fica para o tal livro…                                                                                                                                                        

Confesso que não compreendo as pessoas que, tendo acesso fácil às nossas praias, desperdiçam a oportunidade de desfrutar esta maravilha que temos ao nosso dispor. Talvez seja por eu gostar tanto e lá ter sido tão feliz ao longo dos anos. Comecei na juventude. Acompanhado por cinco ou seis colegas, apanhávamos o comboio até Carcavelos ou até ao Estoril onde jogávamos à bola, dávamos grandes mergulhos e nos divertíamos à grande. Mais tarde foi a vez do namoro e das saudosas barracas, bem acolhedoras e discretas … . Depois os filhos e a delícia de brincar com eles nas ondas, na areia, nas rochas. E finalmente os netos e a repetição da alegria das crianças – uma maravilha.

Por vezes vou só e gosto também. Caminhar junto ao mar, observando as pessoas, (em especial as crianças porque são mais efusivas, mais alegres, mais genuínas, em suma- mais encantadoras) e vivendo o ambiente que, e aqui reside a magia da praia, é sempre animado e descontraído, raramente se ouve uma palavra mais azeda, parece que todas as desavenças, todas as zangas foram esquecidas para que na praia reine a boa disposição e a alegre comunhão familiar. Quando a água não está fria tomo um banho e regresso à toalha onde tenho o prazer de ter à minha espera o Torga ou o Eça ou até, um Steinbeck ou um Hemingway. Com toda esta companhia o tempo passa rápida e agradavelmente e é já com uma ponta de saudade que regresso a casa.  Como prémio por terem viajado comigo pelas minhas praias, aqui fica a parte que falta do poema do venerando Agostinho da Silva que nasceu no Porto em 1906 e faleceu em Lisboa em 1994. Foi filósofo, poeta e ensaísta e uma figura interessantíssima da nossa cultura.

( para melhor compreensão do poema, peço que releiam a primeira quadra, no inicio do texto, e só depois as outras)

                                         Teus cabos se adiantam como braços

                                          para abraçar as ninfas receosas

                                          que fugindo oferecem sobre as vagas

                                          suas nítidas formas amorosas

                                 

                                           Braços paralisados por desejo

                                           que o mundo e sua lei não permitiu

                                           ou suspendeu amor que livre jogo

                                           maior que posse em fugaz tempo viu

 

                                           Como vós me alongo e como tu

                                           areia me ofereço a toda sorte

                                           Por sua liberdade ou por destino

                                           que por só dela seja belo e forte. 

 

Sérgio Figueiredo

 

                                             

sábado, julho 06, 2019


                                                      CATARINA

                                                                           CATARINA

                                                                                                CATARINA

Como és bonita minha primeira neta.

                                                                   …e simpática, o teu riso enche o meu coração.

Tens que me perdoar por ter estado tão ocupado a adorar o teu irmão e não te ter amado como tu tanto merecias!  Mas o entusiasmo do primeiro neto, o encanto que foi o nascimento do Daniel ainda me preenchia quando tu vieste.

Agora já te adoro, és a minha menina linda. Quero tanto que a tua vida seja um mar de rosas que, se fosse preciso,  daria o que me resta de vida em troca.

Conta comigo Catarina

terça-feira, abril 30, 2019


                       O DANIEL ENTROU NA CAVERNA DO LEÂO


 


                    O Daniel gosta de leões. É um facto incontornável. ( horrível esta palavra, não?)  Mostrámos-lhe dezenas de imagens de gatos e dizíamos: miau, miau, repetindo e suplicando que ele imitasse a voz dos bichanos e nada. Fizemos o mesmo com o cão, a ovelha, a galinha, ele achava graça aos nossos esforços mas nem  miau, nem ão-ão nem mé-mé.

                    Um dia chegou a vez do leão e ele, com os olhitos brilhando, espetou o dedo na bocarra do rei da selva e fez um rugido fantástico. Confesso que fiquei feliz. Não sei se isso quer dizer que ele vai gostar do Sporting nem isso me preocupa. Ele será o que quiser e eu, enquanto puder, estarei sempre ao lado dele para o ajudar  e para lhe dar todo o apoio que ele precisar para ir, dia a dia, enfrentando as dificuldades que a vida lhe vai apresentar. Por tudo o que puder fazer por ele não quero nada em troca mas, se ele me sorrir, como costuma fazer agora, serei o mais feliz dos homens.

Sérgio ou “avô babado”
(escrito em Junho de 2018)

sábado, janeiro 19, 2019

A Árvore da vida

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Como é doce a tua sombra

minha amiga árvore.

Sinto-me calmo e feliz

protegido pela tua frondosa copa

ouvindo as tuas folhas sussurrarem

segredos antigos.

 E a minha alma alarma-se com a nostalgia mágica

que deles emerge de uma forma clara.

Pressinto, e logo acredito cegamente,

que tu, minha velha e querida árvore

me queres falar dos meus ancestrais,

dos meus saudosos mortos,

que, como eu hoje, se sentaram aqui ao longo dos anos.

Diz-me, meu majestoso carvalho-roble,

o que sonhava o meu avô ou o pai dele,

ou a minha mãe quando, nas tardes abrasadoras

do verão,  vinham procurar a tua sombra e,

embalados pelo teu suave rumorejar,

adormeciam ou meditavam nos seus amores

Ou nas suas dores ou então falavam contigo,

como eu, e pediam-te para lhe contares

as tuas estórias vividas em tempos antigos

quando tu eras jovem e também sonhavas.

Fica aqui muitos anos, para sempre se possível,

e quando os meus filhos , ou os meus netos,

Ou os netos dos meus netos, se acolherem

debaixo de ti, diz-lhes através do teu sussurrar encantador,

Que eu estive aqui, que me orgulhei por lhes deixar o meu sangue,

te amei e que terei sempre

saudades tuas, até na Eternidade.

Sérgio Figueiredo